Mostrando postagens com marcador casamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador casamento. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Comportamento Machowsky

Aí que casar tem dessas coisas de passar a ter uma convivência mais do que intensa com o universo masculino. Entre os tantos clichês que rolam sobre as conversas de homens, estão os tópicos futebol, mulher e cerveja.


Neste post, vou comentar sobre o primeiro - e sem sombra de dúvidas - o mais falado dos tópicos: Futebol.


Quarta-feira em casa é quase dia Santo. Basta o Galvão ou o Cleber Machado ressonarem suas vozes pela sala que tudo para. Durante 90 minutos concentração total no jogo. Não importam visitas, não é relevante fazer um "social". Até aí, tudo bem. Loucura de "macho", podemos imaginar... Mas o ponto não é esse.

A questão é a descoberta da SSTM (Sociedade Secreta Telepática Machowsky). Por meio dessa instituição, os homens conseguem viabilizar a comunicação inter-machos durante os jogos de futebol. Notem que, de uma maneira desconhecida eles sabem o que os amigos, inimigos e até os vizinhos desconhecidos estão fazendo na quarta a noite ou no domingo a tarde.

Então que essa descoberta veio de um longo processo de pesquisa e diversas observações.
A primeira observação veio da frase "Ali naquele prédio (aponta prá esquerda) tem um palmeirense retardado. O cara quase morre todo jogo". Ahn? Ah é? Ponto um, como vc sabe que é palmeirense, ponto dois: como vc sabe que quase morre??? "amor, mas vc conhece ele?", "Não, não conheço não, só de dia de jogo". Putz grila. Como pode? Eu, por exemplo, não sei se a vizinha do prédio da frente fica alucinada cada vez que vê o Raj na televisão. na verdade, nem sei se tenho uma vizinha no prédio da frente, não é mesmo?

A outra coisa é: Aí o marido resolve assisitir o jogo em casa sozinho. De repente, começa o celular a apitar. "nossa, é fulano falando da falta do Dentinho". "Putz, fez gol, vou mandar mensagem pro ciclano" Aí a magia é: ao mesmo tempo que ele pensa em mandar a mensagem pro ciclano, o ciclano manda a mensagem prá ele!!! PQP!!! Eu num ligo prás minhas amigas, ou mando mensagem prá comentar sobre a última roupa do Esquadrão da Moda. Ou sobre a Norminha, da novela tomando uma surra. Como que eles se comunicam desse jeito, meu deus??? Só se for telepatia.

Fora a mania sem noção de gritar pela janela. Peloamordedeus!! PQ ALGUÉM GRITA PELA JANELA???? "CHUUUUUUUUUUPAAAAAAA!!!!", "FDP!", "VAI SE F¨&% SÃO PAULINO", entre outras coisas. Cadê o freio social, pessoal??? Gritar pela janela? Faça-me o favor. Gritar pela janela NÃO PODE!!!!

No início, confesso, achei que isso era só coisa do marido, mas agora tenho certeza que se trata de um comportamento bizarro masculino. Uma coisa assim estranha mesmo. Uma ligação paranormal com o futebol e com os demais Machowskys.

Sei lá. Vai entender cabeça de homem.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

constatação

Não se faz mais mulheres como antigamente.
Essa é a conclusão de uma conversa de almoço entre 5 homens.
E não é que estes sonham com Amélias, donas de casa perfeitas.
As mulheres modernas tão mais rebeldes que as queimadoras de sutiã de outros tempos. Durante muito tempo elas lutaram por direitos iguais e hoje estão meio assim, se sentindo superiores. Não querem saber de afazeres domésticos, na verdade fogem disso. Louça na pia, agora é tarefa de homem (não que antes fosse de mulher), roupa na máquina trabalho pra macho e assim vai. Ai de você se pedir pra passar uma camisa, é briga na certa. "Tá achando que sou sua empregada" é a resposta default.
Não, não acho que você é minha empregada. Só preciso de ajuda pra realizar uma tarefa que não tenho aptidão.
Elas se sentem humilhadas com um simples pedido e alguns de nós estão encontrando dificuldades até em dividir as tarefas domésticas, acreditem, ou não.
As mulheres mudaram, talvez evoluiram demais, não sei, mas a verdade é que o equilíbrio estava em nossas mães(outro consenso). Trabalhava, cuidavam da casa, do marido e ainda nos criaram.
Ah! Esposas, mulheres, namoradas, casos e etc. Não, isso não é uma reclamação, é uma constatação.

Por: RCM, o Marido

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

a saga territorial da cueca e da meia

A cueca e a meia viviam, cada uma em seu território, há muitos anos. Quase nunca se encontravam quando estavam em seus habitats naturais. As ocasiões de encontro eram raras e ocorriam apenas em períodos de transição, quando cada uma estava dentro de um mesmo espaço separadas por barreiras de papelão retangulares.

Aí um dia a cueca e as meias tiveram que migrar de território. A jornada não foi fácil, foram horas a fio presas dentro de um espaço transparente, quente, seco, sem ar e com uma iluminação laranja desbotada por conta do teto, translúcido. Quando finalmente elas foram libertadas passaram a ocupar novamente um mesmo espaço, mas dessa vez, sem divisões pacificadoras.

Com o passar dos dias as meias e as cuecas começaram se estranhar. Uma ocupava o território da outra e vice-versa. Num dado momento, já não era mais possível delimitar o que era de uma e o que era da outra. Pares de meias, formados há anos se separaram. Famílias inteiras de meias baixinhas foram divididas, com chances remotíssimas e haver um novo encontro. Entre as cuecas o estrago não foi menor. Algumas morreram sufocadas por bolas de meias rolantes que deslizaram como numa grande avalanche branca. As cuecas já não aguentavam mais aqueles resíduos de talco que as deixavam esbranquiçadas e perfumadas.

Mas sempre havia um esperança. Todos os dias, nos momentos em que a luz inundava o território sempre um par de meias e uma cueca (essas últmas sempre em desvantagem numérica) era salvo. O trio passeava pela cidade, cada um em seu veículo, sempre em movimento.

Mas logo no cair da noite o trio em liberdade se arrependia. Repentinamente eles voavam. As meias, que ficaram juntas durante todo o dia se viam viceralmente separadas. A cueca, até então aquecida acabava por ficar numa superfície branca, suja e gelada. O pior mesmo é quando elas voavam e acabavam impedidas de se juntarem às outras espécies que habitavam o grande cesto. Porque lá, o trio sabia, era o lugar que lhes pertencia. Duro mesmo é que sempre que estavam nessa situação uma mão feminina raivosa as pegava com força, esbravejava palavras ininteligiveis "PUTAQUELPARIUMARIDO! NÃOÉPOSSÍVELQUEVOCÊNÃOCONSIGACOLOCARAMEIAEACUECADENTRODAPORRADOCESTO"e e aí sim, o probre trio era jogado, com força e muita raiva dentro do grande cesto branco, diariamente. Nessas horas, o pouco tempo de liberdade perdia o sentido, mas as meias e cuecas se uniam novamente numa inabalável amizade.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

joquempô

Eis que há um tempão fomos eu e marido no outlet da Adidas e ele resolve comprar um blusão laranja com um urso polar azul nas costas. Roupa bacana, meio cheguei, mas cheia de estilo, admito. Aí fica aquela coisa: "cadê a minha blusa prá lá, onde está o blusão pra cá" . Usa a blusa feito criança - em qualquer ocasião - fora a ciumera danada do tal vestimento.

Aí eis que juntamos. Os primeiros dias, de muita bagunça, não tiveram como foco a atividade de lavar roupas. Prá dizer a verdade, quase esquecemos desse "detalhe". Eis que então chega a máquina de lavar roupa. Linda, robusta, alva, auto-explicativa, com 5 mil compartimentos e botões que são um verdadeiro passo-a-passo de como lavar as coisas.

A primeira vez que a máquina funcionou foi uma coisa linda. Ficamos admirados vendo o tambor encher e esvaziar, centrifugar e deixar de molho e por aí vai. As primeiras roupas eu que coloquei para lavar, experiência nessas horas ajuda bem... Mas chega um dia que a gente quer se emancipar e deixar de fazer atividades braçais. Daí como que faz? Pede pro marido colocar a roupa pra lavar.

"Amooooor, faz um favooooorrrrr prá miiiiiim???". "Fala". "Coloca a roupa pra lavar, por favor?". "Tá. Como eu faço?". "Separa as roupas escuras das claras primeiro. Coloca na máquina as escuras, pega o sabão - tá no potinho de tampa azul - coloca meia medida do negocinho cor-de-rosa de medir. Aí, no compartimento do lado você coloca o Vanish, mas põe pouco, tipo 1/4 da medida e aí liga, captou?"..............................Silêncio...............................Barulho do cesto de roupa fechando................Silêncio...........................................

"Amooor, vem aqui. Como que faz agora prá por a roupa prá 'batê'".......Silêncio....... Pausa. pensamento: Putaquel, como assim prá batê??? Como que eu casei com um cara que fala 'vô por roupa prá batê´???? "Pô amor, tá aí no menu, só colocar roupa preta". "Ah tá", ele responde sem grandes convicções. Volto pra minha novela e 30 segundos depois: "Amoooor, to com uma dúvida, vem aquiiii?". Levanto do sofá, abandono a novela, calço os chinelos, caminho calmamente até a área de serviço quando me deparo com a cena:

Duas montanhas de roupa. Uma era o pico nevado, coberto de meias brancas. A outra o monte Sinai, escuro e assustador. No meio, dividindo os territórios, o marido olhando pro blusão laranja (aquele do começo do texto) como se nunca o tivesse visto.

"Amor, laranja é claro ou é escuro?".............. Silêncio................ Pausa............. Espanto......... Silêncio............. Riso.................."Hahahahaha. Cê tá me zuando, né? O que você acha, amor????". "ah, não sei. Porque não é escuro que nem preto e nem claro que nem branco...". "Claro! Ainda bem, né? É LARANJA!!!! Agora pensa: branco com laranja, quem ganha?". "Ganha?". "É. Tipo joquempô. Se tem branco e laranja, laranja com branco fica branco?". "Não. Mas branco com laranja, fica laranja". EPIFANIA!!! "Isso! Se branco com laranja, o branco vira laranja, pensa com o preto...". "Ah, entendi!". Ufa.

E desde então laranja passou a morar no monte Sinai. Na pilha escura. Junto com as calças negras e camistas azul profundo. E ele já sabe, sozinho, colocar roupa prá lavar. Não é lindo????

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

2 de maio de 2008

Enfim chegou o grande dia! Para uns o dia mais importante da vida acontece imerso em expectativas, sonhos, sabores refinados e com muito glamour. Para outros - eu e marido, no caso - o começo é chuvoso, atrasado, poeirento, fedidinho e dolorido.

Umas se vestem de noiva. Cabeleireiro, manicure, maquiagem, sapatos de cetim. Outros são os noivos. Charutos, uísque, vodka, terno e sapato apertado. Para nós: calça de moletom, tênis velho, Veja, Vidrex, Cândida, Sabão em Pó, plástico bolha, fita crepe e caixas, muitas caixas.

Quem casa juntando com fé não tem direito à champagne ou foi gras. Mas pode sim pedir umas cervejas, coca-cola e esfihas. Quem junta com fé esquece que precisa comprar abridor de lata, mas abre a lata mesmo assim, com a faca e o martelo, num estilo neandertal só para fazer o primeiro almoço de casados, regado à Coca Zero (prá manter a forma, claro), nuggets, arroz e uma saladinha de tomate com milho verde - entenderam o porquê do abridor? .

Quem casa com fé não tem aliança de ouro, mas tem sorrisos nervosos do mesmo jeito, como se estivesse no altar. Quem junta não tem flores ou bolo de três andares, por enquanto, mas tem massagem nos pés, cafuné pra dormir agarradinho e uma lua-de-mel in house M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A!

Quem "ajunta" vê desde o início aquela parte do "como é que vai ser quando a gente estiver podre, cansado e fedido? Será que o amor resistirá?". E eu, particularmente, posso dizer que sim. Ele não só resistirá, como também se tornará mais forte e denso a cada minuto vivido – desde o dia 2 de maio de 2008.